terça-feira, 14 de setembro de 2010

O bom, o mau e o feio


Às vezes me pergunto se eu não tiro o crédito da minha própria inteligência, da minha capacidade, usando o meu corpo e me transmitindo pro mundo de maneira tão superficial. Talvez essa seja a minha própria insegurança louca falando mais alto; talvez no fundo eu acredite que se o meu cabelo não for loiríssimo, se a minha maquiagem na estiver impecável, se as minhas roupas não estiverem na moda, se as minhas unhas não estiverem bem feitas, as pessoas não vão se aproximar, não vão gostar de mim; e mais uma vez, é o meu terrível medo de ficar só falando mais alto. Talvez eu mesma acredite que eu não tenho nenhum valor como ser humano, por isso preciso tentar valorizar ao máximo o meu valor como objeto.
E por isso eu tenho essa necessidade patológica de transformar a mim mesma numa boneca sem expressão, um objeto tentando agradar a todos, sem agradar a si mesmo.
Racionalmente, eu sei que não. Sei que tenho mais do que isso a oferecer. Mas temo que as pessoas não enxerguem isso, não queiram se dar ao trabalho de me conhecer o suficiente para descobrir esse lado meu, se elas não se interessarem pelo meu exterior. E tento dar a desculpa de que eu sou assim porque esses são os valores da sociedade em que vivemos. E isso até É verdade. Mas no fundo, eu sei que o motivo sou eu. Eu sei que a maior hipocrisia não está na sociedade em que estou inserida, mas sim dentro de mim.


Um comentário:

Carolina Chamiso disse...

Uau, como é difícil rejeitarmos o padrão de estética estabelecido pela época que estamos, não é mesmo? Como o olhar do outro é tão importante para nós, seres humanos, que acabamos vivendo e tendo hábitos programados para este olhar (que não o nosso). Bacana o texto.